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Parlamentares do PSOL protocolam denúncia contra governo brasileiro na OMS

Parlamentares do PSOL protocolam denúncia contra governo brasileiro na OMS

Deputados afirmam que o país “vive um completo descontrole” no tratamento do novo coronavírus

22 mar 2021, 19:08
Poliana Dallabrida (Brasil de Fato)
Presidente Jair Bolsonaro adota máscara e discurso pró vacina (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu, nesta segunda-feira (22), uma denúncia de parlamentares do PSOL contra o governo brasileiro pelo descaso no tratamento da pandemia do novo coronavírus. No último domingo, o país chegou a 294 mil mortes e 11,9 milhões de casos.

Para a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), o direito a um atendimento humanitário está sendo negligenciado no país. “Estamos buscando ajuda nos órgãos internacionais porque o Brasil não tem um governo que organize e se responsabilize pelo enfrentamento à pandemia. Vivemos um completo descontrole”, encerra a parlamentar.

Além de Bomfim, a denúncia também é assinada pelos parlamentares do partido Fernanda Melchionna (RS), Vivi Reis (PA) e David Miranda (RJ).

O documento foi endereçado ao ao presidente do Conselho Executivo da OMS, Harsh Vardhan, ao vice-presidente do Conselho Executivo da OMS, Ahmed Mohammed Al Saidi, e ao diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Na denúncia, os parlamentares pedem que a OMS exija do governo brasileiro algumas medidas, como a imediata interrupção da difusão “por meios oficiais ou pessoais, informações falsas ou manipuladas que levem ao entendimento equivocado sobre a eficácia da cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina ou quaisquer outros medicamentos cuja eficácia no tratamento contra a COVID-19 não tenha sido comprovado.”

Além disso, o grupo solicita que o governo brasileiro “execute uma campanha ampla de comunicação transparente sobre os riscos da COVID-19, sobre as medidas comprovadamente eficazes para sua prevenção, sobre a eficácia da vacinação e a importância de vacinar-se.”

Confira os pontos exigidos pelos deputados federais do PSOL, na íntegra, abaixo:

a) Deixe de difundir, por meios oficiais ou pessoais, informações falsas ou manipuladas que levem ao entendimento equivocado sobre a eficácia da cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina ou quaisquer outros medicamentos cuja eficácia no tratamento contra a COVID-19 não tenha sido comprovado;

b) Deixe de difundir, por meios oficiais ou pessoais, informações falsas ou manipuladas que levem ao entendimento equivocado sobre a eficácia do uso de máscaras de proteção e do isolamento social no combate à propagação descontrolada da COVID-19;

c) Execute uma campanha ampla de comunicação transparente sobre os riscos da COVID-19, sobre as medidas comprovadamente eficazes para sua prevenção, sobre a eficácia da vacinação e a importância de vacinar-se.

Compreendemos ser fundamental que este Comitê Executivo proponha à Assembleia Mundial da Saúde que sejam adotadas resoluções para:

1. Chamar a atenção do estado brasileiro, assim como da ONU e membros e de organizações internacionais para a gravidade do estágio atual da pandemia no Brasil, notadamente no que se refere ao surgimento de novas cepas do vírus, de manifestação mais infecciosa e letal;

2. Chamar a atenção da comunidade internacional para a gestão equivocada do Presidente da República Jair Bolsonaro e de seu Ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, e para o risco que essa gestão representa hoje para a vida do povo brasileiro e para a comunidade internacional;

3. Criação de um Comitê Internacional para monitoramento das ações do Governo brasileiro no enfrentamento à disseminação do novo coronavírus, conforme Recomendação a ser elaborada pela Organização Mundial da Saúde, especificamente desenvolvida para o cenário brasileiro, para gestão da crise sanitária;

4. Estabelecer e manter ações de colaboração internacional no sentido de auxiliar o Brasil nos processos de negociação para a aquisição das doses de imunizantes necessárias para a vacinação em massa da população brasileira, em um ritmo que garanta a eficácia das vacinas em relação às novas cepas de vírus que têm se propagado rapidamente no país.