Marielle, presente! Anderson, presente!

Exigimos a investigação com o máximo de rigor e transparência. O crime deve ser apurado e os envolvidos responsabilizados. O país todo quer saber: quem matou Marielle?

O sentimento de pesar e revolta se espalha pelo país. Na noite de 14 de março de 2018, na região central do Rio de Janeiro, a vereadora do PSOL, Marielle Franco, foi brutalmente assassinada. Todas as linhas de investigação, admitidas inclusive pela imprensa, levam a crer que foi um “crime de mando”, ou seja uma execução política, fato que agrava ainda mais a tragédia. O motorista que acompanhava Marielle, Anderson Pedro Gomes, também foi assassinado. Marielle acabava de sair de uma atividade chamada “Mulheres negras movendo estruturas”.

Marielle, como negra e mulher, foi uma das vereadoras mais votadas do Rio de Janeiro no pleito de 2016. Ativista dos direitos humanos e da população das favelas, sua crescente trajetória política correspondia ao ascenso da luta das mulheres e da negritude.

Seu assassinato foi um crime contra as mulheres negras, contra o povo pobre, contra os que contestam o abuso das forças de repressão no estado do Rio de Janeiro.

O PSOL no Rio de Janeiro, com Marcelo Freixo, com quem Marielle trabalhou diretamente durante muitos anos, sempre esteve à frente da denúncia das mílicias, organizações paramilitares que dominam territórios, acossando o povo mais pobre da cidade.

Recentemente, sua voz se levantou contra as arbitrariedades da intervenção federal no Rio de Janeiro. Poucos dias atrás, Marielle fez a seguinte denúncia, sobre a truculência da PM:

“Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”.
Nos manifestamos em solidariedade a sua família, aos amigos e aos militantes do PSOL. O assassinato de Marielle é uma crise nacional. O governo precisa responder ao ocorrido. O fato ganhou alcance internacional, com a entrada da Anistia Internacional e manifestações no Parlamento Europeu.

Exigimos a investigação com o máximo de rigor e transparência. O crime deve ser apurado e os envolvidos responsabilizados. O país todo quer saber: quem matou Marielle?

No dia de hoje, 15 de março, em solidariedade e justiça por Marielle Franco, estão sendo convocados atos e vígilias em todo o país.

Nossa maior homenagem é exigir justiça para Marielle. E seguir sua luta.
Secretariado Nacional do MES (Movimento Esquerda Socialista, organização política fundadora do PSOL).

Publicado originalmente em: https://movimentorevista.com.br/2018/03/justica-e-luta-por-marielle-franco/