0516/2018: Requer a concessão da Medalha Chiquinha Gonzaga a Jane Di Castro, ativista do Movimento LGBT

REQUERIMENTO Nº 516/2018
EMENTA:REQUER A CONCESSÃO DA MEDALHA CHIQUINHA GONZAGA A JANE DI CASTRO, ATIVISTA DO MOVIMENTO LGBT.
Autor(es): VEREADOR DAVID MIRANDA

Requeiro a Mesa Diretora, na forma regimental, a concessão da Medalha de Reconhecimento Chiquinha Gonzaga a Jane Di Castro, ativista do movimento LGBT.

Plenário Teotônio Villela, 27 de fevereiro de 2018.

Vereador DAVID MIRANDA

PSOL

Justificativa
Jane Di Castro cresceu no bairro de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Em casa apanhou muito, apesar de na infância e adolescência se esconder no banheiro para poder finalmente se sentir mulher.
Sempre quis ser artista. Em sua adolescência foi convidada a se retirar do coral da igreja por ter trejeitos que incomodavam os evangélicos, não recebeu o apoio de sua família.
Jane trabalhou muito em sua vida. Renomada cabeleireira, e é uma importante artista com um belo currículo. Começou como cabeleireira em Copacabana na década de 1960, quando também começou a se apresentar em casas noturnas do bairro. Seis anos depois estreou no Teatro Dulcina. Jane chegou a ser presa no auge da ditadura militar, por ser identificada como um homem muito afeminado. Ela manteve sua carreira artística, inclusive internacionalmente, até quando voltou para o Brasil e abriu o seu próprio salão, em 2001. Casou-se formalmente com Otávio Bonfim, após 47 anos juntos, em uma cerimônia coletiva do casamento de 160 casais LGBT. Hoje estão juntos a 51 anos!
Como artista, já foi dirigida por Bibi Ferreira no espetáculo Gay Fantasy no qual também atuaram Rogéria, Marlene Casanova e outras e Ney Latorraca. Apresentou-se em diversos palcos do Brasil e do exterior, incluindo uma performance no Lincoln Center.
Em 2004 estrelou no Teatro Rival o espetáculo Divinas Divas, ao lado de Rogéria, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Marquesa, Brigitte de Búzios e Fujika de Halliday. O musical, que relembra a trajetória de travestis e transformistas de Copacabana, manteve-se em cartaz por 10 anos, e foi objeto de um documentário produzido por Leanddra Leal, ganhador do prêmio de melhor filme nos festivais: Rio 2016 (Rio de Janeiro), Aruanda 2016 (João Pessoa) e South by Southwest 2017 (Austin,Texas – EUA).
Participou recentemente da novela A Força do Querer, protagonizando uma cena em que sofre os preconceitos semelhantes a tantos pelos quais já passou em sua vida e ao de muitos outros membros da comunidade LGBT.
Jane, assim, ao longo de sua vida tem sido uma importante figura para a representatividade e resistência da população LGBT na cultura, inclusive sendo reconhecida como a cantora oficial da parada LGBT de Copacabana.
Sendo assim, o seu reconhecimento enquanto uma importante mulher na luta por respeito e garantia de direitos para o povo LGBT, principalmente através de seu trabalho cultura, é um marco importante.</br