Cura gay? Não existe cura para o que não é doença

Desde o fatídico protesto no bar Stonewall Inn contra a discriminação sexual, em 1969, em Nova York, a batalha pelos direitos das pessoas LGBTs ganhou um novo capítulo. Na esteira da luta pela ampliação dos direitos civis das minorias, como negros e mulheres, homossexuais também batalharam (e batalham) pelo reconhecimento de seus direitos fundamentais. No […]

20 jun 2022, 17:15 Tempo de leitura: 1 minuto, 43 segundos
Cura gay? Não existe cura para o que não é doença

Desde o fatídico protesto no bar Stonewall Inn contra a discriminação sexual, em 1969, em Nova York, a batalha pelos direitos das pessoas LGBTs ganhou um novo capítulo. Na esteira da luta pela ampliação dos direitos civis das minorias, como negros e mulheres, homossexuais também batalharam (e batalham) pelo reconhecimento de seus direitos fundamentais.

No caso da população LGBTQIA+, o próprio direito à existência considerada “normal” esteve sob questionamento. Por muito tempo, a homossexualidade, chamada de “homossexualismo”, foi considerada uma patologia mental, inclusive com inscrição no CID (Classificação Internacional de Doenças). Apenas em 17 de maio de 1990, o termo “homossexualismo” foi retirado pela OMS da lista de doenças. Até lá, muitos procedimentos, internações e supostos tratamentos foram experimentados no que hoje é chamado de “cura gay”. Isso significa décadas de submissão dos LGBTs a torturas físicas e psicológicas.

No Brasil, os “métodos de reconversão sexual” são proibidos pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999. Desde de então, os profissionais que oferecem ou induzem esses pseudo tratamentos podem ser até expulsos do CFP. Mas, a ausência uma lei que regulamente contra a “cura gay”, abriu uma brecha para que a normativa do Conselho fosse questionada na justiça por profissionais que defendem essa prática anacrônica e anti científica. Apesar de arquivada pelo próprio STF em 2020, a ação popular contra a norma expôs uma preocupante parcela dos profissionais que são favoráveis a tais terapias. Segundo estudos de Jean Ícaro, autor de Cura Gay (2020), 1 em cada 3 psicoterapeutas brasileiros apresenta atitudes para converter a orientação sexual em seus consultórios. O que, muitas vezes, ocorre sem consentimento ou solicitação dos pacients.

Por ser uma questão infelizmente ainda tão atual, nosso mandato está atuando nesse tema. Estamos fazendo uma coleta de assinaturas para apoiar a cassação do registro profissional de psicólogos que defendam da “cura gay”. Você também pode ajudar, assine a petição: https://davidmirandario.com.br/contra-a-curagay/