Dia Mundial do Meio Ambiente: live e manifesto internacionais denunciam destruição dos biomas brasileiros

5 jun 2021, 15:57 Tempo de leitura: 4 minutos, 55 segundos
Dia Mundial do Meio Ambiente: live e manifesto internacionais denunciam destruição dos biomas brasileiros
Mariana Dandara (Fauna News)

Hoje, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, será realizada a live Pare pelo Meio Ambiente, que reunirá artistas, indígenas, ativistas, jornalistas, cientistas, lideranças políticas e outros convidados para fazer ecoar em rede um alerta sobre a urgência de proteger a Amazônia, o Pantanal e outros biomas brasileiros também ameaçados. Além do evento online, será lançado um manifesto que faz um apelo aos líderes mundiais para salvar os biomas brasileiros e aumentar a pressão internacional sobre o governo federal. A iniciativa pede que acordos multilaterais com o Brasil sejam legalmente vinculativos para a proteção do clima, da biodiversidade e dos Direitos Humanos.

O evento é liderado pelo eurodeputado Francisco Guerreiro (Verdes/ALE), pelo deputado federal David Miranda (PSOL) e pela presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), Silvana Andrade. O manifesto e a live já contam com assinaturas e presenças confirmadas de artistas e outras personalidades notórias como os cantores Caetano Veloso, Daniela Mercury, Anitta e Agir, a líder indígena Sônia Guajajara, as apresentadoras Astrid Fontenelle e Xuxa Meneghel, os atores Lázaro Ramos, Alessandra Negrini, Samanta Schmütz e Alinne Moraes, a ativista Luísa Mell, os jornalistas Glenn Greenwald, Catarina Canelas e Patrícia Matos, os músicos João Gil e Rogério Charraz, a professora e ativista indígena Célia Xakriaba, e a deputada à Assembleia da República de Portugal Cristina Rodrigues.

A live, que conta com a parceria da Mídia Ninja, será transmitida hoje nos idiomas português e inglês, às 16 horas para o Brasil e às 20 horas para a Europa, através dos canais no Facebook e no YouTube da ANDA, do eurodeputado Francisco Guerreiro e da Mídia Ninja, entre outros locais de acesso.

Endereçado ao secretário-Geral das Organização das Nações Unidas (ONU) António Guterres, ao presidente dos Estados Unidos Joe Biden, e ao presidente do Mercosul Carlos Saúl Menem, o manifesto convida os líderes mundiais, especialmente na União Europeia e nos Estados Unidos, “a reconsiderarem qualquer acordo comercial com o Brasil, enquanto as disposições ambientais, entre as quais o desmatamento na Amazônia e o aumento das emissões de CO2 e metano, não forem suficientemente fortes, exequíveis e vinculativas”.

No documento, são citados dados do World Resources Institute que expõem a perda de florestas tropicais primárias no mundo e o papel do Brasil nessa devastação. Em 2020, registrou-se um aumento de 12% no desmatamento dessas florestas em relação ao ano anterior. “A maior destruição florestal ocorreu uma vez mais no Brasil, em grande parte por causa do seu atual governo, que permite o desmatamento na Amazônia por motivos de crescimento industrial e comercial e que nega a existência de alterações climáticas”, pontua o manifesto, que cita ainda a devastação histórica do Pantanal, que foi destruído por queimadas sem precedentes em 2020.

Retirada ilegal de madeira na Amazônia (Mato Grosso) – Foto: Marcos Vergueiro/SecomMT

“Investigações da Polícia Federal apontaram que incêndios criminosos deram início às queimadas que destruíram 30% de um bioma extremamente rico porque abriga grande parte dos animais do Brasil e até então o mais preservado. A área queimada representa 4.490 mil hectares em todo o bioma. Um impacto sem precedentes para o meio ambiente brasileiro e mundial, causando a morte de milhões de animais, colocando inclusive espécies em sério risco de extinção”, diz o documento.

A exploração petrolífera do arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural Mundial pela Unesco, também é motivo de preocupação para os defensores do meio ambiente e, por essa razão, é mencionada no manifesto, que cita o anúncio do governo sobre um leilão “para a exploração de petróleo em áreas marítimas do Nordeste do Brasil, que, além de afetar Fernando de Noronha, oferece grave risco à Reserva Biológica do Atol das Rocas, o que poderá levar à extinção da baleia azul e outras 154 espécies de animais marinhos”.

“O Brasil de Bolsonaro tornou-se assim um pária do clima e do ambiente. Porém, precisamos incluir o Brasil nos esforços globais se quisermos alcançar os objetivos climáticos”, relembra o manifesto, que critica ainda a postura da Comissão Europeia frente aos impactos ambientais e climáticos do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

“Já na União Europeia (UE), a Comissão Europeia ignorou os impactos ambientais e climáticos do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, uma vez que esta avaliação de impacto foi concluída quase dois anos após a finalização das próprias negociações comerciais, pelo que as suas averiguações não foram tomadas em consideração durante as mesmas. Um erro significativo que o Provedor de Justiça Europeu declarou recentemente ser um caso de má administração. Fazer do Acordo de Paris um elemento essencial através de uma declaração adicional não irá resolver esta lacuna significativa. Se a UE está seriamente empenhada nos seus compromissos, terá de reabrir as negociações a fim de rever o acordo e abordar esta falha, ancorando normas ambientais e climáticas sancionáveis em todos os capítulos do acordo”, assevera.

Dados científicos que mostram o impacto do desmatamento, das monoculturas agrícolas intensivas e da pecuária sobre áreas tropicais como a floresta Amazônica também foram mencionados no manifesto, que alertou ainda para o risco de novas doenças infecciosas surgirem em decorrência desse cenário.

Para assinar o manifesto e ter mais informações sobre a iniciativa, acesse o site oficial da campanha Pare pelo Meio Ambiente ou a plataforma da Change.