Contra os planos do PT, manifesto no PSOL pede Glauber como presidenciável

10 maio 2021, 14:39 Tempo de leitura: 2 minutos, 12 segundos
Contra os planos do PT, manifesto no PSOL pede Glauber como presidenciável
Chico Alves (UOL)
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um grupo de integrantes do PSOL, entre eles seis dos dez deputados federais do partido, vai divulgar hoje à noite manifesto que pede o lançamento de candidatura própria à Presidência da República, com o deputado Glauber Braga (RJ) na cabeça de chapa. Também assinam o texto integrantes da executiva nacional e da direção nacional da legenda. O presidente do partido, Juliano Medeiros, não está entre os signatários.

A reivindicação de lançamento de candidato próprio feita pelos organizadores do manifesto vai na contramão da articulação feita por integrantes do PT de contar com o apoio do PSOL a uma eventual candidatura de Lula já no primeiro turno da votação de 2022. Desde que Guilherme Boulos anunciou que será candidato a governador de São Paulo, a esperança dos petistas aumentou.

Da bancada psolista na Câmara, apoiam o manifesto Luiza Erundina, Vivi Reis, Sâmia Bonfim, Fernanda Melchiona, David Miranda e o próprio Glauber.

“Eu topei essa empreitada”, disse o deputado fluminense à coluna. Segundo ele, sua linha de atuação será baseada em três pilares. “A primeira é lutar pelo ‘Fora Bolsonaro’, porque não dá pra colocar todas as expectativas pro ano que vem. Mais de 100 milhões de pessoas não sabem se vão conseguir comer nas próximas 24 horas, a vacinação sendo feita a conta-gotas…”

A segunda prioridade, afirma o deputado, é fortalecer um programa junto com os movimentos, sem medo ter medo de dizer que é de esquerda, com uma “proposta não sectária, popular e com radicalidade política”.

Por fim, pretende dialogar com outras forças de esquerda na tentativa de construir uma plataforma comum. “Mas isso, com limites evidentes. Não cabe na nossa mesa a direita liberal que se fantasia de centro e vota com Bolsonaro tanto quanto a extrema-direita. Não cabe Doria, Maia, Moro, Huck e cia”, esclarece Glauber.

O deputado fluminense é conhecido por expressar de forma direta suas críticas aos oponentes. Foi assim no dia da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando ao se manifestar contrário ao impedimento, chamou o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de “gangster”.

Outro episódio que teve destaque nacional foi a audiência na Câmara em que se dirigiu ao então ministro Sergio Moro chamando-o de “juiz ladrão”, por causa das irregularidades praticadas quando julgou os processos da operação Lava Jato.

A discussão sobre candidatura presidencial do PSOL só começará a ser definida em setembro, na conferência nacional do partido.