David Miranda participa de debate sobre liberdade de expressão e mídia alternativa

07 de novembro de 2018 11h04

David Miranda participou nesta terça (06/11) de debate na PUC sobre Liberdade de Expressão e Mídia Alternativa, acompanhado do marido, o jornalista americano Glenn Greenwald. Destacamos aqui, resumidamente, alguns pontos importantes respondidos por David aos questionamentos dos universitários:

ESCOLA SEM PARTIDO

Há em relação a essa questão uma grande hipocrisia. O termo “Escola sem Partido” é uma forte jogada de marketing de políticos de direita, conservadores, fundamentalistas, até porque não existe e nunca existiu escola com partido ou algo parecido. Essa invenção tinha um alvo: acabar com o senso crítico nas escolas. Então, nós criamos o termo “Escola com Mordaça”, já que é isso que querem fazer quando exigem a mudança da base curricular do ensino nas escolas.

DEMOCRACIA

O que faltou no Brasil foi uma transição da ditadura para a democracia no ensino. Os professores precisam ter liberdade para ensinar o que foi a ditadura no país. Sem esse conhecimento da nossa História, o brasileiro vai eleger presidentes como esse que acabou de ser eleito, que louva o coronel Ustra, um dos maiores torturadores de presos políticos na ditadura, com denúncias de muitas mortes.

MÍDIA TRADICIONAL E O FUTURO DO JORNALISMO

A mídia tradicional vende a imagem de imparcialidade, mas não age assim. Essa mídia no Brasil tem um lado e, em alguns momentos, esse lado é fortemente revelado, como, por exemplo, na época do impeachment da Dilma. Eu escrevi um artigo para o Guardian sobre a parcialidade das Organizações Globo no movimento pelo impeachment. A TV Record, por exemplo, tem grande envolvimento com políticos, como vimos nesse processo da campanha do Bolsonaro. Por tudo isso, precisamos valorizar o jornalismo independente. Temos que criar a cultura de fazer assinatura da mídia alternativa. Assim, vamos dar suporte ao jornalismo no futuro. O jornalismo não vai morrer.

FAKE NEWS

Nós precisamos instruir as pessoas para não replicarem notícias falsas. Temos que fazer organizações sociais para conscientizar a população de que o melhor caminho para a democracia não são as fake news. Essa é mais uma tática da invenção do “Escola sem Partido”: sem o olhar crítico, as pessoas compartilham qualquer informação, não verificam suas procedências, não pesquisam, não verificam detalhes sobre a notícia. Sabemos que só vamos combater o perigo das fake news pela via da conscientização da sociedade para procurar saber se a notícia é verdadeira. É claro que não temos como combater as empresas que são fábricas de fake news, porque elas ganham milhões em dinheiro, e a estratégia é “fecha uma, abre outra”. A solução é começarmos nos organizar em grupo na sociedade e já. Vamos logo enfrentar essa manipulação.

AS REDES SOCIAIS E O POLÍTICO TRADICIONAL

Não sou um político tradicional, mas acho importante também fazer campanha nas ruas, panfletando, conversando com as pessoas. Gosto de fazer política do olho no olho para entender necessidade da população.