[eu,rio!] Metade dos 61 cães que vivem em apartamento em Pilares já foi para abrigos

12 de novembro de 2018 17h33

Metade dos 61 cães que vivem em apartamento em Pilares já foi para abrigos

Foto: Divulgação ONG Focinho de Luz

Fazer o bem sem olhar a quem. Após a divulgação da matéria sobre os 61 cães em um apartamento em Pilares em um grupo no Facebook, criou-se uma rede de ajuda que já conseguiu retirar 32 animais do local (por abrigos e protetores), entregar ração, material de limpeza e alimento para a família.

Uma das primeiras a se solidarizar com os “doguinhos” foi Marcelle Nery, que ao ver a postagem na rede social sentiu que precisava ajudar de alguma forma. Desde então tem sido incansável na retirada dos animais. Ela conta que a primeira coisa que fez foi arrecadar alimentos não só para os cachorros, mas também para a família, pois a situação era de fato, calamitosa.

“Após os primeiros contatos pra conhecer melhor a história dos cachorros e da família, descobrimos que a situação era insustentável, 4 cachorros já tinham morrido por brigas e os cachorros infelizmente estavam sendo alimentados com fubá, casca de legumes, angu, macarrão, o que a família tivesse. A primeira atitude que tomei foi arrecadar (com amigos, conhecidos e no mesmo grupo aonde vi a matéria) doações de ração, jornal e material de limpeza pra poder começar a matar a fome deles! No dia 27/10, um sábado, eu, meu namorado e a Sandra Pinho levamos as doações: 250 kg de ração, alguns jornais e materiais de limpeza. Quando chegamos lá descobrimos que eles não comiam desde quinta-feira. A partir de então eu comecei a entrar em contato com todas as ongs, abrigos, empresas pet que eu conhecia e foi no Abrigo João Rosa que consegui o primeiro sim. Mesmo passando por dificuldades financeiras e lotação, nos dias 01/11 e 02/11, o abrigo conseguiu remanejar alguns canis e resgatou 10 cães no total. E ainda fizeram uma doação incrível de mantimentos para a alimentação da família que passa por problemas financeiros. A Ong Focinhos de Luz também abraçou essa causa e no dia 02/11 recebeu 8 cães, que gentilmente os voluntários do João Rosa transportou até eles”, relata Marcelle.

Márcia, irmã da dona dos cães, afirma que é preciso retirar todos os cachorros o mais rápido possível.

“Os cachorros estão muito estressados, eles brigam muito entre si. O objetivo é tirar todos do apartamento”, alerta Márcia.

Um dos casos que mais chamou a atenção foi do último cão resgatado pela família. Ele não havia sido aceito pela matilha e vivia preso na área de serviço, longe de todos, pois quase foi morto algumas vezes. Foi o primeiro que o Abrigo pegou e se mostrou alegre e simpático.

Tanto a Ong Focinhos de Luz quanto o Abrigo João Rosa estão com a capacidade prejudicada, pois já atendem vários casos.

Nesta quinta-feira, dia 8, mais uma ajuda para a família de Pilares. O resgatista Randel Silva, do Centro de Reabilitação Pata Amiga, foi com sua esposa Chris Neri e, além de fazerem várias lives para mostrar a realidade do apartamento, conseguiram resgatar mais seis cachorros. Outros cinco foram para a protetora Rosana Guerra da ONG Indefesos e mais três para outra protetora, de nome Mônica.

“Conseguimos esvaziar um dos quartos e com as doações em dinheiro comprei uma grade de portal para que os cães não entrassem mais nesse quarto”, conta Marcelle.

Para ela, já é uma grande vitória, mas não é o bastante.

“Hoje (ontem) conseguimos chegar a marca de menos da metade do que tínhamos no início, mas ainda temos 29 cachorros no apartamento.”.

Para auxiliar na remoção e destinação dos animais, Marcelle criou a página Doguinhos de Pilares(https://www.facebook.com/doguinhosdepilares/ ), onde ela conta como estão os animais resgatados e nos posts coloca como as pessoas podem ajudar. Alguns já podem ser apadrinhados.

E o vereador?

Lembram da matéria em que o vereador Davi Miranda se comprometeu a ajudar? De acordo a sua assessoria, a Comissão em Defesa dos animais da Câmara Municipal foi acionada e poderá ajudar com o transporte dos animais, o abrigo Hope foi acionado para ajudar no acolhimento e estrutura dos animais e ainda estão aguardando o retorno de outros abrigos. Até o fechamento da matéria não houve menção sobre possível data de remoção dos animais.

Por Caroline Carvalho, para Eu, Rio!