[o destak] Câmara discute o pedido de impeachment de Crivella nesta quinta-feira

30 de julho de 2018 15h22

Prefeito aconselhou sua base a abrir um pedido de sessão extraordinária, similar ao da oposição, para esclarecer o tema

Foto: Secretaria Municipal da Casa Civil

O Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro vai ser reaberto nesta quinta-feira (12), em meio ao recesso, para que os vereadores possam discutir o pedido de impeachment contra de Marcelo Crivella. A solicitação foi feita depois que foram divulgados áudios de uma reunião, realizada no Palácio da Cidade, no qual o prefeito oferece benefícios aos bispos e seus fiéis, como facilitação na cirurgia de catarata.

Crivella, no entanto, parece não estar preocupado com a movimentação política.

“O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, entende que protocolar pedido de impeachment faz parte do jogo político da oposição. Mas tem certeza que tanto a Câmara de Vereadores quanto o Ministério Público vão saber separar o que é realidade do que é manipulação nesse caso”, disse a assessoria de Crivella, por meio de nota.

Segundo o texto, o prefeito aconselhou os vereadores que formam sua base na Câmara a abrir um pedido de sessão extraordinária, similar ao da oposição, para que tudo possa ser esclarecido. De acordo com a prefeitura, apesar de o documento ter sido protocolado com 17 assinaturas, 26 vereadores já declararam apoio à proposta.

“Eu assinei o requerimento (do PSOL), porque as denúncias que foram feitas sobre a reunião de sexta-feira são graves. Eu acho que a Câmara não podia ficar de recesso sem se manifestar num momento de tanta indignação da população. O que nós queremos fazer não é julgar o prefeito, é abrir o processo de investigação, aceitar a solicitação de abertura de processo de impeachment para que tudo possa ser investigado. Se for comprovado que o prefeito cometeu crime, a gente tem que aprovar o impeachment, se não, tem que ser arquivado. Mas é importante que haja a investigação”, diz o vereador Renato Cinco (PSOL).

Para ele, apesar de o prefeito ter tido maioria nos votos da Câmara, essa maioria é muito volúvel.

“Do partido dele, só tem três vereadores, o Eduardo Paes tinha 18 quando era prefeito. Então, toda hora ele tem que negociar essa maioria. A imprensa já está noticiando troca de cargos para garantir a maioria. Então, é possível, realmente, que eles consigam barrar o processo de impeachment, mas isso vai ser uma afronta à opinião da sociedade”, afirma o vereador.

Protesto na prefeitura

Uma manifestação pedindo a saída de Crivella foi realizada, na quarta-feira (11), na porta da prefeitura. Estima-se que cerca de 500 pessoas tenham participado do protesto. Em dado momento, alguns dos participantes entraram no prédio e a Guarda Municipal foi acionada para retirá-los, informou a Casa Civil, por meio de nota.

Votos contra e à favor

Alguns vereadores já se manifestaram publicamente sobre a pauta da sessão desta quinta-feira. A assessoria do vereador David Miranda (PSOL) informou que ele votará pela abertura dos debates sobre os pedidos de impeachment que chegaram à Câmara Municipal.

“David vai passar a cobrar que a agenda do prefeito seja pública, no portal da prefeitura, diariamente, o que não vem ocorrendo”, diz a nota.

Já vereador Italo Ciba (Avante) é um dos que se posiciona contra o pedido de impeachment do prefeito.

“Apesar da situação delicada, não concordo com o pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella. O país passa por um momento político difícil e estamos em ano eleitoral, quando serão eleitos governadores, senadores e deputados estaduais e federais. A escolha de novos nomes para concorrerem ao cargo de prefeito requer critério e tempo para que os eleitores conheçam suas propostas. Por esta razão, uma nova eleição neste momento só prejudicaria o município do Rio de Janeiro”, disse, por meio de nota.

Já Ulisses Marins (PMN) é a favor da investigação da denúncia.

“O vereador é favorável à apuração de qualquer espécie de denúncia, independentemente de fazer parte da base do governo ou não. Sua posição sobre o impeachment, entretanto, só vai ser definida ao final do processo, e vai depender do que for apurado”, diz sua assessoria em nota.

Os vereadores César Maia (Democratas) e Thiago K. Ribeiro (MDB) informaram ainda estar analisando a situação.

Por Mariana Mauro, para O Destak