[conexão jornalismo] Beijo contra a Homofobia acontece na cadeira de Carlos Bolsonaro

08 de junho de 2018 16h06

Foto: Guilherme Prado

Não se sabe ainda se foi uma demonstração de apoio a causa homossexual ou mera obra do acaso, mas repercutiu positivamente a cessão da cadeira do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), cuja família muitas vezes é apontada como homofóbica, para que um casal homossexual trocasse carinho em uma Casa onde muitas vezes prevalece o clima de guerra. O beijo, registrado pelo fotógrafo Guilherme Prado, ocorreu na tarde desta quinta-feira (17), quando teve início uma série de homenagens sobre o tema.

O caso chamou a atenção porque na Câmara Municipal do Rio 10% dos vereadores integram a Bancada Evangélica – que em geral manifesta repúdio a manifestações homossexuais.

Viúva de Marielle, Monica Benício foi homenageada por David Miranda

Para o dia 17 de maio, Dia Internacional contra a Homofobia, o mandato do vereador David Miranda (PSOL), primeiro vereador carioca assumidamente LGBT, preparou o evento DiverCidade, no plenário da Câmara de Vereadores, dedicado a debates, exposições, danças e músicas. A comemoração terá a presença especial da transexual Jane Di Castro, a ser homenageada com a medalha Chiquinha Gonzaga, por notória participação em causas contra o preconceito sexual. Estarão presentes também a dupla de drag queen, Sara e Nina, cantoras e atrizes, que vão realizar várias performances; a viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica Benício; e a transformista Lorna Whashington, a serem homenageadas com moção de louvor.

Outra atividade é a exposição fotográfica “Sair do Armário, Lutar por Direitos”, que está ocupando a Câmara de Vereadores esta semana de segunda-feira a sexta (18). Idealizada também pelo mandato de David, a ideia é apresentar as lutas desse grupo na cidade do Rio. Além de fotos e roupas, a exposição apresenta placas com alguns dos dizeres LGBTs que tomam as ruas do Rio, especialmente nas paradas LGBT.

Auditório cheio e muitas homenagens no Dia Contra a Homofobia

A comunidade LGBTs segue sendo alvo de assassinatos diários. No Brasil, um LGBT (lésbica, gay, bissexual e trans) morre a cada 19 horas, segundo pesquisa da Grupo Gay da Bahia (GGB), o que faz do país um dos campeões no que se refere a essas mortes. Outro dado assustador: cerca de 40% dos LGBTs já pensaram, tentaram ou cometeram suicídio.