Na briga entre Messina e Benjamin, cariocas exigem professores e transparência nas escolas

25 de maio de 2018 17h22

No Rio, milhares de alunos sofrem sem professor enquanto briga entre secretários joga suspeitas de corrupção sobre a Prefeitura. Crivella permanece omisso.

Entre ofensas, ironias e ataques, o secretário municipal da Educação, César Benjamin, e o secretário da Casa Civil, Paulo Messina (conhecido por muitos como o Primeiro Ministro do Rio de Janeiro), mostraram nitidamente o caos permanente na gestão Marcelo Crivella. Messina acusa Benjamin, que nunca foi gestor público, de não pedir reposições de professores a tempo, de mentir sobre valores, de fazer contratações emergenciais em número excessivo. Messina sugere corrupção de Benjamin: “19 contratos emergenciais não é normal em lugar nenhum”-

As declarações de Messina, em um “live” no Facebook, eram uma resposta a Benjamin, que há uma semana, em um post estrondoso, dissera que o secretário da Casa Civil havia cortado R$120 milhões em investimento da melhoria de escolas. Mais do que isso, Benjamin cobria o rival de xingamentos. Não aceito ser destratado por um espertalhão, Napoleão de Hospício, (…) cinismo, esperteza, espionagem, intriga, ambições pessoais. (…) Por meio de ações e omissões, a Casa Civil, sob o comando de Paulo Messina, tem se dedicado a minar metodicamente as condições de governança da Secretaria Municipal de Educação, uma instituição excepcionalmente complexa. Por motivos obscuros, lança as bases da desorganização e da instabilidade em uma área estratégica da administração, que está pacificada e dinâmica. 

Secretário de Educação do Município do Rio de Janeiro, César Benjamin

Secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Paulo Messina

Benjamin chegou a deixar a secretaria, mas voltou atrás no mesmo dia. A insólita briga entre os secretários desvenda muito do que sobra e muito do que falta na Prefeitura do Rio de Janeiro.

Sobra desprezo com alunos, pais e professores. A situação da falta de professores é gravíssima, caótica. Como mostramos em um vídeo produzido pela nossa equipe, dezenas de milhares de crianças, alguns ainda bebês, todos os dias, levam uma porta fechada na cara ao chegar em escolas de todos os cantos da cidade. O motivo é a falta de professores, mais de 1.500 em toda a rede. A situação dramática desestrutura famílias, que deixam de trabalhar para ficar com os filhos em casa. Em Rio das Pedras, conhecemos uma mãe que nos contou que está de partida para Pernambuco, terra de seus pais, porque não consegue encontrar uma turma com professores para sua filha estudar aqui no Rio de Janeiro. São relatos de turmas que só têm aula 3 vezes por semana. Outras que só têm aula até às 10h30. Turmas funcionam em rodízio em muitas escolas. Em outras, a diretora improvisa e fica em sala de aula.

Falta um prefeito. Marcelo Crivella mostra que não consegue sequer arrumar a casa. O entra e sai, em suas principais pastas, de secretários, afilhados políticos, pré-candidatos bagunça, a gestão que nunca foi arrumada. Já teve milionário dono de mansão secretário de Habitação. Agente da ditadura na Ordem Pública. Uma figura, aliás, que prendeu o secretário de Educação na ditadura. Família Garotinho também se fez presente, descumprindo na cara dura promessa de campanha. Prova da bagunça generalizada é que, no primeiro ano de mandato, a Prefeitura do Rio praticamente não tinha um secretário da Casa Civil. A intenção de Crivella era colocar o filho no cargo, mas a Justiça não deixou. Crivella, então, colocou um secretário que nunca apareceu, do qual poucos lembram do nome, e que nunca articulou nada no governo. Com um atraso monumental, Crivella procurou na Câmara de Vereadores alguém para o cargo e encontrou lá Paulo Messina, até então um atuante líder do governo na Casa. Em menos de cinco meses na gestão, Messina, que tem em alguns grupos de educação uma de suas bases de apoio, já está em guerra declarada contra o secretário de Educação. Um caos completo que traz sofrimento a cidade.

É preciso investigação. Messina sugere que os contratos da secretaria de Educação são suspeitos de corrupção. É fundamental que todos os órgãos de controladoria da Prefeitura, que o Tribunal de Contas, que o Ministério Público investiguem o caso. A Câmara de Vereadores também (desconfiando sempre daqueles parlamentares que hoje pedem CPI, mas que ontem estavam defendendo os empresários de ônibus e entregando um relatório chapa-branca para a cidade, no caso do vereador Rogério Rocal (PTB)).

É preciso regularizar a falta de professores urgentemente. Independentemente do desfecho da briga (prefeito e secretários encenaram um acordo do paz na quinta-feira), é preciso que a Prefeitura coloque professores em sala de aula já. Estamos no fim de maio, e o ano-letivo, na prática, não começou para diversos alunos do Rio de Janeiro. Na briga entre Messina e Benjamin, o Rio exige professores, dignidade e transparência na gestão.