[O DIA] Informe: Vereador pede exoneração de secretário de Crivella que serviu ao Codi

20 de dezembro de 2017 15h05

07.02.2017

Documento comprova ligação do coronel Paulo Cesar Amendola com órgão usado para reprimir movimentos contrários à ditadura.

Rio – Documento do Tribunal Superior Militar liga o atual secretário municipal de Ordem Pública, Paulo Cesar Amendola, ao Centro de Operações de Defesa Interna (Codi), usado na ditadura para reprimir movimentos contrários ao regime.

Em 3 de dezembro de 1970, Amendola, então “capitão da Polícia Militar do Estado da Guanabara a serviço do C.O.D.I”, foi designado para apreender “todo e qualquer material subversivo ou destinado a subversão” na casa de um suspeito em Botafogo. Para isso, estava autorizado a “arrombar portas, gavetas e armários e prender em flagrante os recalcitrantes”. O mandado é assinado por Wilson Carrilho de Oliveira, então comissário de polícia lotado no Codi do 1º Exército.

Papelada

Naquele dia, Amendola não encontrou armas ou munição no local, mas apreendeu anotações, documentos falsos e folhas datilografadas com títulos como ‘Mudai o mundo, ele está precisando’ e ‘Perguntas de um trabalhador que lê’. Segundo o auto de apreensão, os materiais eram, “ao que tudo indica, destinados e relativos a subversão”.

Xará

A casa era de Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, que em 2012 recebeu, junto com outros 118 perseguidos políticos, um pedido formal de desculpas do governo do estado.

Oposição

O vereador David Miranda (Psol), que obteve os documentos do Tribunal Superior Militar e faz oposição ao prefeito Marcelo Crivella, pedirá a exoneração do secretário.

Resposta

Procurado pelo Informe, Amendola disse que, à época, a conjuntura política era adversa e que a polícia combatia grupos que queriam a derrubada do governo militar através das armas. “Dizer que trabalhei no Codi fico até orgulhoso. Todo o aparato das Forças Armadas era mobilizado: Polícia Militar, Corpo de Bombeiros… Eram operações de defesa interna em prol do interesse nacional. Combati sequestradores e assaltantes de bancos.”

Segue

“Eu, como chefe de operações especiais, tinha que cumprir minhas missões. Não cometi nenhum crime. Se tivesse, teria respondido. Não era lotado no DOI e nunca torturei ninguém. Se algum vereador falar em tortura, como fizeram, já estou com o advogado pronto para processar.”

Chat amizade

A deputada Zeidan (PT) tem irritado colegas de Assembleia Legislativa com postagens, no grupo de WhatsApp da Alerj, que nada dizem respeito ao estado. Desde fotos em momentos de lazer com o marido a textos imensos em defesa de Lula e Dilma.