[COMUNICAÇÃO COLORIDA] Comunicação e diversidade : precisamos debater

08 de dezembro de 2017 11h48

Por Comunicação Colorida – 05.12.17

O Comunicação Colorida convidou o jornalista investigativo e vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL, David Miranda para um artigo sobre a relação da mídia e a diversidade. David é o primeiro vereador gay eleito para a câmara municipal do Rio, e vem tentando trazer um debate sobre a democratização da comunicação.

David Miranda é casado com o também jornalista americano Glenn Greenwald, fundador do The Intercept e ex repórter do The Guardian. Glenn se tornou mundialmente conhecido por denunciar a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos.

COMUNICAÇÃO E DIVERSIDADE – Por David Miranda

Devemos exigir sempre o respeito à diversidade. Melhor seria se não precisássemos reforçar a importância da aceitação do “outro”, mas, infelizmente, nos dias atuais, defender a diversidade se tornou prioridade.

Uma parte da população tem disseminado ódio e preconceitos com palavras e gestos violentos. De formas agressivas, estes grupos revelam que não aceitam a convivência plural na sociedade e expõem, cada vez mais, discriminações baseadas em critérios que abrangem etnia, gênero, religião, imagem corporal, classe, território, pessoas portadoras de deficiência, LGBTs.

Sou negro, LGBT, nascido e criado na favela do Jacarezinho: essas três situações fazem com que a gente nunca acredite que vá pisar na Câmara de Vereadores. Mas eu cheguei aqui e estou lutando, desde o início deste ano, pela comunicação e a diversidade, princípios fundamentais para a democracia.

A liberdade da comunicação, que pressupõe o direito de todos os grupos a informarem e serem informados, tem forte peso no meu mandato de vereador. Por isso, hoje integro a Comissão de Comunicação, Ciência, Tecnologia e Informatização da Câmara Municipal e tenho organizado debates e proposto vários projetos que visam a fortalecer a comunicação mais ampla e plural possível. Meus projetos incluem mecanismos para defender e garantir os direitos dos comunicadores independentes, de blogs, sites, rádios e TVs comunitárias, jornais impressos alternativos.

Na Câmara, enfrento uma parcela de parlamentares que votam contra todo e qualquer projeto que tenha as expressões “orientação sexual e identidade de gênero”. Mas eu repito na tribuna do plenário, incansavelmente, que, no Brasil, morre um LGBT assassinado a cada 25 horas. E que cada gesto contra a nossa comunidade acaba por concordar com tal violência.

Temos um prefeito-bispo que põe sua religião à frente para comandar a cidade. Então, falta política pública no nosso município. Por exemplo, a Parada LGBT de Copacabana – e também as das Zona Norte e Oeste e das comunidades – é uma política pública. Mas, o prefeito não quis dar apoio financeiro, e, desta forma, revelou seu desprezo à população LGBT, além de contribuir para pôr um grupo da população contra a nossa Parada. E aqui lembremos que é um evento que sempre traz lucro para a cidade.

A comunicação que fala para o público LGBT e para os grupos que muitos querem excluir da sociedade tem o meu apoio. Para a comunicação independente contribuo com meus projetos de lei, com debates, com as minhas declarações e com artigos e reflexões sobre o que precisamos fazer para juntos lutarmos pela igualdade e exigirmos respeito à diversidade.