6 vezes que Crivella mentiu descaradamente para o Rio de Janeiro em 2017

29 de dezembro de 2017 09h23

Crivella disse que viria para “cuidar das pessoas”. Foi a maior mentira dos últimos anos no Rio de Janeiro. Mas não foi a única.

1. Quando disse que não iria confundir política com religião

Na campanha, Marcelo Crivella disse: “Estou há mais de uma década na vida pública e garanto: a Igreja não terá nenhuma relação com minha gestão”. Mentira descarada. Em apenas um ano como prefeito do Rio, (1) Crivella já se atrasou para compromissos em favela por estar em culto, (2) viajou para África do Sul apenas para compromissos religiosos, (3) cantou no plenário do Senado  “Perfume Universal”, (4) cortou investimentos no carnaval, (5) cortou investimentos na Parada LGBT do Rio, (6) ameaçou aqueles que queriam trazer a exposição QueerMuseu para o Rio, (7) pediu para o povo de Rio das Pedras “orar”, como solução para seus problemas (8) nomeou pastores e diáconos para áreas técnicas da Comlurb, (9) cortou investimento no “Barco para Iemanjá” e (10) realizou censos religiosos para agentes da Guarda Municipal e até mesmo para usuários de programa de academias ao ar livre.

2. Quando disse que iria aumentar os recursos da saúde

Uma das promessas mais importantes de Crivella em sua campanha era do aumento de recursos para a saúde, área que, em muitas pesquisas, costuma aparecer como a maior preocupação dos cariocas. Crivella disse que, a cada ano, investiria mais R$250 milhões na saúde. Mentiu. Em 2017, os recursos diminuíram. R$500 milhões ficaram contingenciados mesmo quando a crise na saúde chegou ao caos de faltar dipirona nos postos e clínicas da família. Crivella disse também que, já no primeiro ano, faria uma ampla auditoria nas Organizações Sociais que administram unidades de saúde. Mentiu. Não apresentou nada neste sentido e ainda culpou a gestão das OSs pelo caótico cenário.

Os profissionais da saúde, é claro, não perdoaram e foram às ruas!

3. Quando disse que tinha entregue um volume recorde de remédios

Crivella, às vezes, mente com convicção. No primeiro dia de dezembro, ele se prestou a ir ao centro de distribuição de remédios para mostrar que a situação estava normalizada, disse que “tudo está aqui”.

O prefeito tentava acalmar o espectador, dizendo que havia comprado um número recorde de medicamentos, mostrando um centro de distribuição em funcionamento, segurando um pacote de remédios na mão. Dizia que os senhores e senhoras podiam ficar tranquilos, que os remédios chegariam a todos que precisassem. Foi até mais longe: disse que, se sofrer um acidente, quer ser levado a um hospital público.

Não demorou para os profissionais de saúde do município pegarem Crivella na mentira! Em poucos dias, lançaram um desafio ao prefeito. #MostraORemédioCrivella! O jornal Extra também fez um levantamento mostrando que a falta de medicamentos na rede pública do Rio de Janeiro aumentou desde o anúncio da compra dos remédios. Uma vergonha!

 

4. Quando disse que iria terminar o BRT TransBrasil até o fim de 2017

Crivella assegurou, em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral que iria “Concluir as obras do BRT TransBrasil e garantir sua operação efetiva até o final de 2017”. Os milhões de cariocas que moram no subúrbio, às margens da avenida Brasil, sabem que essa promessa é uma imensa piada. Ou melhor, uma mentira, né? As obras seguem a passos lentíssimos, levando o caos para os milhões de cariocas que pegam a maior avenida da cidade todos os dias. Pior: em recente depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Ônibus, o secretário de transportes do Rio, Fernando MacDowell, que também é vice-prefeito do Rio, disse que não confia no BRT TransBrasil como a melhor opção para a região. E agora?

Estefan Radovicz / Agência O Dia

5. Quando disse que havia desistido de derrubar Rio das Pedras

A luta dos moradores de Rio das Pedras mobilizou milhares contra a intenção de Crivella de derrubar essa que é a segunda maior favela da cidade para construir, no mesmo lugar, um novo bairro, entupido de condomínios de prédio. O projeto delirante de Crivella previa a remoção de toda a comunidade, que chega a 100 mil pessoas – algo sem qualquer precedente na história do Brasil.

A pressão foi tão grande, seja na própria favela, seja em audiências e reuniões públicas, que a Prefeitura chegou a declarar que havia desistido do projeto. O líder do governo na Câmara, o vereador Paulo Messina, teve a audácia de invadir uma reunião dos moradores, lá em Rio das Pedras, para trazer “a boa notícia”.

No dia seguinte, em 28 de outubro, no jornal O Globo, Crivella ratificou a desistência do projeto de “verticalização” do bairro. Manteve apenas a intenção de obras estruturais na favela, como transporte e saneamento básico: “Conversamos com os moradores e discutimos alternativas. Por falta de tratamento de esgoto, aquela região se transformou em uma espécie de latrina da Barra. A proposta é mudar isso. É possível que a execução do novo projeto ainda exija o reassentamento de algumas famílias. Mas será de forma negociada” — disse o prefeito. Mentira, outra vez.

Poucos dias depois, sem qualquer novo diálogo com os moradores, a Prefeitura lançava um site onde trazia novos detalhes do projeto de verticalização do bairro. O ano está terminando e a intenção de atacar as moradias de Rio das Pedras continua.

Moradores de Rio das Pedras mostram como esperam Crivella por lá.

6. Quando disse que argamassa blindada iria ajudar as escolas do Rio

De todas as bobagens que Crivella falou no ano, poucas se igualam a essa proposta demagógica que o prefeito deu para dizer que estava fazendo algo pela segurança das escolas cariocas. Depois da trágica morte de Maria Eduarda, baleada por policiais enquanto praticava a aula de educação física numa escola municipal em Acari, na zona norte do Rio, Crivella apareceu com essa ~brilhante~ ideia: iria comprar uma argamassa blindada para revestir as escolas do Rio de Janeiro.

Nosso mandato pediu explicações. Como assim? Escolas blindadas? Será que elas não se tornariam refúgio para bandidos e policiais no meio de um tiroteio? Qual especialista em segurança já havia estudado esta hipótese? Quem, afinal, dera essa ideia de jirico para Crivella?

Felizmente, Crivella desistiu da ideia tosca. Era uma mentira, uma bravata.
Infelizmente, Crivella não fez nada para, de fato, melhorar a caótica situação de operações policiais nas proximidades das escolas do município. As escolas seguem sem uma interlocução razoável com a secretaria na hora de saber das operações, por exemplo.