10 vezes que Crivella confundiu a Prefeitura com sua Igreja em 2017

22 de dezembro de 2017 20h22

O prefeito do Rio jura que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Não é beeeem assim, né??

 

1. Quando foi a culto no Méier e se atrasou para compromisso marcado na Rocinha

Ele jura que não confunde as coisas. Mas foi para um culto em comemoração aos 40 anos da Igreja Universal do Reino de Deus na zona norte da cidade e deixou toda a comunidade da Rocinha esperando por mais de uma hora, em 8 de julho.

foto: Reprodução do Facebook

2. Quando foi a África do Sul durante o mandato APENAS PARA cumprir compromissos religiosos.

Em abril, Crivella retornou à África do Sul, país onde evangelizou por muitos anos antes de se tornar político no Brasil. Em um evento no estádio de Joanesburgo, foi anunciado apenas como “Bishop Crivella” (bispo Crivella), sem sequer ser citado que ele é “também” prefeito do Rio de Janeiro. Crivella também já escreveu um livro sobre sua experiência evangelizadora na África, onde fez pesadas críticas a praticamente de todas as religiões, apresentadas como “diabólicas”, e classificou a homossexualidade de “conduta maligna” e de “terrível mal”. Na publicação, afirma que a Igreja Católica e outras religiões que se denominam cristãs “pregam doutrinas demoníacas.” Crivella disparou também contra o espiritismo, o hinduísmo e religiões africanas (que, segundo ele, abrigam “espíritos imundos”).

3. Quando cantou “Perfurme Universal” no plenário do Senado

Em julho, Crivella retornou ao plenário do Senado Federal. Mas não foi defender as coisas do Rio, pressionar o Congresso a aprovar leis que favoreçam o Estado. Ele foi cantar em um culto – ops, uma cerimônia – justamente em homenagem a sua igreja.

4. Quando se negou a prestigiar o Carnaval do Rio de Janeiro

No site www.universal.org, site oficial da Universal, existe um artigo bem explícito intitulado “Por que devemos nos desligar do carnaval?”, que começa assim: “A palavra “Carnaval” tem a sua origem no latim, uma língua antiga. É a junção das palavras “carne” e “vale”, que significa “adeus à carne”, em tradução livre. Essa expressão surgiu porque as pessoas, no passado, aproveitavam ao máximo os prazeres da carne antes que chegasse a quarta-feira de cinzas. Portanto, pense por 1 minuto: uma festa que surgiu da ideia de se entregar aos prazeres da carne, antes que o tempo termine, pode agradar a Deus?”

A ver pelo comportamento de Crivella durante esse ano, é exatamente isso o que ele pensa sobre nossa maior festa popular, um dos traços mais importantes de nossa cultura. Crivella se negou a entregar a chave da cidade para o Rei Momo, uma tradição antiga. Também não foi a Sapucaí em nenhum dos dias, nem mesmo no caso dos graves acidentes nos desfiles. Fez pior depois: com argumentos hipócritas, cortou o investimento no Carnaval e deixou diversas agremiações – principalmente das divisões inferiores – na miséria.

foto: Domingos Peixoto | O Globo

5. Quando cortou os investimento nas Paradas LGBTs do Rio

A perseguição de Crivella às Paradas LGBTs do Rio é mais um daqueles casos óbvios de como o Crivella bispo interfere no Crivella prefeito. Ele não fez qualquer investimento nas Paradas do Rio, diminuindo a capacidade cultural, turística e, portanto, econômica dessa que é a terceira maior festa da cidade, atrás apenas do Carnaval e do Reveillon. Mesmo assim, é claro, fomos às ruas!

6. Quando censurou a exposição QUeermuseu e nos ameaçou por isso

Foi gravíssimo o que Crivella fez em 1º de outubro, quando gravou um vídeo na internet censurando a vinda da exposição QueerMuseu para o Museu de Arte do Rio. Além de obrigar os conselheiros do Museu a vetar a mais importante exposição de temática LGBT que o Brasil já viu, Crivella fez uma terrível ameaça a toda a comunidade LGBT. Em tom de deboche, aquele que deveria ser o prefeito disse: “Saiu no jornal que vai ser no MAR. Só se for no fundo do mar”.

7. Quando pediu para a comunidade de Rio das Pedras ORAR

 

Em 21 de setembro, mais um caso terrível de confusão do que é religião e o que é Prefeitura do Rio de Janeiro. Depois de quase duas horas de reunião, 15 moradores de Rio das Pedras estavam aflitos, sentados em volta da imensa mesa de reuniões do gabinete do prefeito. O povo já havia tentado de todas as formas fazer com que o prefeito desistisse da ideia de destruir Rio das Pedras, remover cerca de 100 mil pessoas, para reconstruir, no mesmo local, um novo bairro, “vertical”, entupido de blocos de edifícios. A reunião estava quase no fim quando Lorena, uma das lideranças, travou o último diálogo com o prefeito

– Seu Prefeito, e qual recado eu levo para o povo? Porque eu preciso sair daqui com uma resposta. Qual o recado?

– Diga ao povo para orar.

 

8. Quando cortou investimento na festa de Iemanjá

Crivella também não gosta das religiões de matriz africanas, é claro. Enquanto prestigia igrejas de sua crença com todo o tipo de facilidades, prejudica o quanto pode as celebrações da Umbanda, por exemplo. O caso mais explícito deste ano foi o corte dos recursos para a festa conhecida como “O Barco de Iemanjá”, que ocorreu em 16 de dezembro. A festa, consagrada no calendário oficial da cidade, recebia incentivo há 12 anos. Agora, com um prefeito-bispo, o incentivo sumiu.

9. Quando nomeou 5 pastores e um diácono, num mesmo dia, para áreas técnicas da Comlurb

Em novembro, Crivella e um de seus seguidores mais fiéis, o também pastor evangélico Rubens Teixeira, presidente da Comlurb, aprontaram mais uma: nomearam para áreas técnicas da Companhia de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro 5 pastores e um diácono. Nosso mandato pediu, oficialmente, explicações ao prefeito e ao presidente da Companhia sobre quais formações técnicas embasavam a indicação dos religiosos. Até agora, um constrangedor silêncio da Prefeitura.

 

10. Quando fez um censo religioso na Guarda Municipal

Até censo religioso Crivella tentou emplacar na Prefeitura. Foram, pelo menos, dois casos. Um deles direcionado aos agentes da Guarda Municipal. No outro, usuários de um programa de academia ao ar livre também tinham que informar sua religião. Por que isso? Também perguntamos isso oficialmente à Prefeitura, que se esquivou dizendo que tinha a intenção de construir uma capelania na sede da Guarda. Em dezembro, o Ministério Público recomendou que Prefeitura do Rio não realizasse censos religiosos.