De Copacabana a Madureira: o Rio de Janeiro LGBT responde bem na cara do Crivella!

24 de novembro de 2017 17h44

O prefeito-bispo fez de tudo para sabotar as Parada LGBTs do Rio, mas mesmo assim os gays, as lésbicas, as travestis, transexuais, toda diversidade sexual e, inclusive, os heterossexuais lutam por direitos e dignidade nas ruas!


A semana começa e termina, de ponta a ponta, com as duas paradas LGBTs mais importantes da cidade. No domingo passado, a praia de Copacabana recebeu a 22ª edição da Parada do Orgulho LGBTI, organizada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT. Ela contou com quase um milhão de participantes que tomaram as ruas, calçadas e a praia para afirmar seus direitos.

Essa edição fica para a história como a “Parada da Resistência”, feita em meio a uma situação turbulenta no Rio. No início do ano, soubemos a posição do prefeito, o bispo Marcelo Crivella (PRB), de que não apoiaria a realização dos eventos LGBT. A justificativa era a falta de recursos. Falácia. O próprio prefeito enche a boca para falar da necessária agenda de turismo para a cidade, enquanto despreza uma festa como essa, deixando evidente que suas convicções religiosas interferem fortemente nas decisões do que deveria ser um prefeito.

No ano passado, a Prefeitura investiu R$ 370 mil para a organização, verba vetada pela atual gestão daquele que age menos como prefeito de nossa cidade, e mais como bispo de sua igreja, a Universal do Reino de Deus, fazendo proselitismo e esquecendo a laicidade do Estado ao não apoiar uma atividade que vai de contrário às suas crenças pessoais. As mensagens tiveram o prefeito como principal alvo, como na canção “Eu beijo ele, eu beijo ela, eu só não beijo o Crivella”, que surgiu no último ato das mulheres contra a criminalização do aborto em caso de estupro, e que ressurgiu nesse fim de semana nas bocas dos cariocas.

A Parada é uma das principais datas da agenda anual da cidade, lotando os hotéis com diversos turistas de todo o país e do mundo. Além de movimentar a economia em nossa cidade, algo do qual não podemos abrir mão, ainda mais em meio a esse cenário de crise que se agrava.

Sem investimento da Prefeitura, o Grupo Arco-Íris recorreu a financiamento coletivo e também aos patrocinadores privados. Como já era de se esperar, a Prefeitura praticamente não deu as caras na Parada, deixando evidente seu desdém pelo evento.

Marca deste ano foi também a adesão de diversos artistas, que dispensaram o cachê para se apresentarem, num histórico esforço de engajamento na causa LGBT. Uma mensagem do vereador David Miranda nas redes sociais ajudou na empolgação das cantoras! Pabllo Vittar foi uma que respondeu! Valeska Popozuda, Preta Gil, Lexa e Daniella Mercury fizeram um espetacular dia na orla de Copacabana!  Todos arrebentaram! Daniella fez um lindo show ao lado de sua companheira, compartilhando todo seu amor e carinho em tempos tão sombrios.

Além das atrações musicais, edição desse ano foi uma das mais politizadas, ainda que muitos vejam a parada principalmente pelo seu lado festivo, de celebração. O lema não poderia deixar de polarizar com os setores obscurantistas da sociedade que lutam por cercear nossos direitos: “Resistindo à LGBTIfobia, fundamentalismo, todas as formas de opressão e em defesa do Rio”.

O PSOL esteve lá apoiando essa importante luta democrática. Além da militância, estavam o deputado federal Jean Wyllys, as vereadoras Marielle Franco e Talíria Petrone (de Niterói), além de David Miranda que discursou no carro principal. Foi a primeira vez que um vereador LGBT do Rio, eleito para defender a população LGBT da cidade, discursou na Parada LGBT de Copacabana! O Juntos!, coletivo de juventude do qual eu participo, também esteve em peso na Parada, distribuindo material impresso e também milhares de leques, um imenso sucesso entre os participantes.

“Foi um ano de resistência das pessoas que estão aqui, agora, com todo mundo na rua! O prefeito falou que não ia liberar verba. O prefeito falou que a gente não ia estar na rua hoje. E nós estamos na rua! Nós temos a resposta! O maior movimento político dessa cidade somos nós!” – gritou arrancando gritos e aplausos da multidão.

E é claro que não faltaram os já típicos gritos de “Fora Temer”, “Fora Pezão”, “Fora Picciani”…

A 22a Parada do Orgulho LGBTI veio para mostrar que a população LGBT não está dormindo e está ciente da importância da sua luta contra todos esses retrocessos feitos por uma casta política corrupta e fundamentalista contra o povo brasileiro.

Resistiremos!