Prefeitura apresenta calendário turístico do Rio e “esquece” Parada LGBT, 3° maior evento da cidade

09 de agosto de 2017 16h46

Prefeitura do bispo Marcelo Crivella lança o programa “Rio de Janeiro a Janeiro”, cronograma de suas principais apostas turísticas e, claro, deixa fora evento LGBT que reúne mais de 2 milhões de pessoas anualmente.


O auditório principal do Museu do Amanhã, nesta quarta-feira (09/08) não estava nem metade ocupado, mas o vídeo apresentado era lindo demais: uma narração bonita, uma boa trilha sonora, imagens aéreas que só o Rio de Janeiro pode proporcionar. O roteiro apontava – de agosto deste ano a julho de 2018 – os carros-chefes da RioTur, órgão da Prefeitura voltado para a atração de turistas e promoção de grandes eventos, como o Revéillon e o Carnaval. O vídeo celebrou a futura realização de festival de jazz inédito, a abertura do Campeonato Brasileiro 2018 (?!), uma feira de videogames que a cidade nunca recebeu, falou até do Dia dos Namorados, mas, olha só!, “esqueceu” da Parada LGBT de Copacabana, uma manifestação tradicional, importante, que já tem 22 anos de história e reúne mais de dois milhões de participantes. “Esqueceu-se” de um evento que, segundo estudos da própria RioTur, faz girar R$470 milhões e é fundamental para o ramo hoteleiro, para a rede gastronômica, enfim, para a cidade como um todo.

Se fosse um caso isolado, apenas um “vacilo”, já seria ruim. Mas a perseguição à Parada LGBT por parte do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus é um projeto antigo. No calendário oficial de eventos da cidade – uma lista imensa com mais de 200 itens – não há qualquer menção a eventos LGBTs, de qualquer natureza.

Embora tenha prometido na campanha que manteria o apoio à festa/manifestação, na primeira oportunidade que teve, Crivella tirou os investimentos da Prefeitura à Parada LGBT. Isso mesmo: a palavra é investimento. Afinal, pôr dinheiro em turismo e cultura, todo mundo sabe, é um movimento de lucro garantido. A Prefeitura não precisa de dinheiro? Por que rebaixa a Parada LGBT?

Ao escantear a Parada, a Prefeitura e o prefeito deixam claro que essa é uma administração sectária, que põe, à frente das decisões razoáveis da administração pública, seus dogmas e opiniões pessoais. O prefeito pode até não gostar da Parada, pode até mesmo, no seu íntimo, não gostar dos LGBTs. O que ele não pode fazer é apequenar a cidade do tamanho do seu preconceito.

Nós, do mandato coletivo do vereador David Miranda, estamos, desde o início do ano, denunciando esse ataque de Crivella. Lançamos uma campanha de abaixo-assinado, que já tem quase 12 mil assinaturas. Essa Parada é Nossa quer garantir a realização da Parada LGBT deste ano.

Na última semana, o Grupo Arco-Íris, que há mais de duas décadas organiza a parada, publicou uma dura nota onde critica os procedimento da Prefeitura em relação à parada deste ano, ainda sob risco de não conseguir viabilidade financeira razoável. Leia a nota aqui! 

Na nota, o Grupo deixa claro que a Parada LGBT não é “apenas” uma imensa festa. É também um palco de lutas importantes. A Parada LGBT luta por direitos, por dignidade, por respeito. O evento promovido pela prefeitura nesta quarta-feira não era apenas sobre turismo, mas também sobre segurança. Usamos esse fato para lembrar que a Parada LGBT também luta por segurança, a segurança dos LGBT, no país que mais mata LGBTs em todo o mundo.

Ao fim das apresentações das autoridades municipais, um assessor de nosso gabinete questionou o representante da RioTur pela vergonhosa ausência da Parada LGBT no plano. Constrangido, ele respondeu “O Rio de Janeiro é amigável ao público LGBT. A questão das imagens (do vídeo) foi uma edição de um grande calendário e, realmente, nós temos uma reunião essa semana com a CEDS (Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual) para tornar o mês de outubro um mês LGBT”.

Bravata pura! A Prefeitura do Rio de Janeiro, está mais do que provado, persegue as manifestações LGBTs.