[Carnavalesco] Vereador questiona Crivella sobre corte de verba para o Carnaval

14 de junho de 2017 15h28

Série ‘Não é doação. É investimento’:

Série ‘Não é doação. É investimento’: Vereador prepara requerimento para saber como Crivella aplicou os R$ 3 bilhões gerados no Carnaval 2017

 

vereadorO site CARNAVALESCO começa hoje a série “Não é doação. É investimento” que pretende destrinchar todos os caminhos das verbas para escolas de samba. A proposta é mostrar a importância do carnaval das escolas de samba para o turismo e a cultura do Rio de Janeiro do Brasil, apresentando dados importantes, como o valor real de um desfile, e, claro, abordando questões polêmicas como o desconhecimento da força das marcas das escolas, a relação com o mundo do marketing, além de ações de engajamento com o público durante o ano inteiro. O início da série, que vem sendo produzida há mais de um mês, teve que ser adiantado com a notícia do corte da prefeitura do Rio de Janeiro de 50% da verba das escolas de samba do Grupo Especial para o Carnaval 2018. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o vereador David Miranda (PSOL) revelou que prepara um requerimento de informações ao prefeito para que ele responda sobre como aplicou o arrecadado com os R$ 3 bilhões de movimentação financeira referentes ao Carnaval 2017 anunciados pela Riotur.

– Queremos saber onde e como a Prefeitura do Rio investiu este montante. O corte proposto de recursos para as escolas de samba não é significativo para resolver a questão financeira das creches do município. Muito menos para solucionar o déficit de investimento na política educacional pública. O que o prefeito tenta com esse argumento falacioso é fazer uma oposição entre dinheiro para creches ou dinheiro para o carnaval, uma manobra política. É possível ter dinheiro para creche e investir no carnaval – disse David Miranda.

defesa

Segundo o vereador do PSOL, o prefeito gera um impacto negativo na economia da cidade e na arrecadação com a decisão de cortar verba do carnaval do Rio de Janeiro.

– Esse “desinvestimento” vai ter impacto negativo na arrecadação do próximo ano, o que vai refletir no orçamento como um todo. O prefeito está usando uma argumentação desonesta, parece que quem é favorável ao carnaval e ao investimento no mesmo é contra o aumento de investimento nas creches, é uma argumentação absurda, que não possui relação de causa e efeito. O Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) é feito para isso e deveria ser aplicado dessa forma. É o que estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O prefeito tem margem de remanejamento no orçamento para tal investimento – garante David Miranda.

portela_campeas_2017_077O vereador afirma que a decisão de Marcelo Crivella é para “esvaziar eventos de grande importância no calendário municipal por conta de convicções de caráter pessoal”.

– Essa decisão é política, de esvaziamento da importância cultural do Carnaval e das escolas de samba. Portanto, não é uma questão numérica. Podemos lembrar o episódio da entrega das chaves ao Rei Momo, quando o prefeito não compareceu ao evento. Sinalização simbólica, mas importante. O corte, na verdade, vai abalar a base da pirâmide estrutural dos profissionais que vivem do carnaval, especialmente os artistas e funcionários dos barracões, como os carpinteiro, costureiros, ferreiros, aderecistas etc. Esta é a grande tragédia social em um momento de crise econômica com alto índice de desemprego. Será que isso é cuidar das pessoas? Além dos empregos gerados diretamente outros milhares indiretos também são gerados, a posição do prefeito não é a do gestor que quer solucionar problemas, agindo assim Crivella estará aprofundando a crise financeira do município. Em vez de cortar cerca de R$ 12 milhões para o próximo carnaval, deveria firmar um termo de compromisso garantindo um valor substancial da receita do evento em 2018 para as creches, já que, pelo visto, não fez isso com a receita que o Carnaval gerou em 2017. É importante frisar que no campo dos números está provado que carnaval é investimento e não gasto. O que sinto é que Crivella quer roubar a alma do Rio.

O site CARNAVALESCO apurou que a prefeitura da cidade que abrir o debate se é necessário ter o super espetáculo das escolas, com comissão de frente mirabolante, alegorias opulentas e fantasias recheadas de materiais exorbitantes.

Além disso, Crivella espera receber soluções criativas das agremiações, como festas e eventos sociais e culturais durante o ano inteiro, e que não sejam somente os ensaios técnicos no Sambódromo e os desfiles oficiais. A Riotur deve ter R$ 200 milhões por ano para apoiar eventos que atraiam turistas e a alocação desses recursos será feita pelo Conselho de Turismo. Uma outra possibilidade cogitada pela prefeitura do Rio, segundo o site CARNAVALESCO apurou, é a criação de um caderno de encargos com empresas patrocinando os desfiles das escolas de samba, gerando receita para agremiações, que teriam que oferecer contrapartidas, já que a exibição de anunciantes nos desfiles é proibida por regulamento.