Medalha Tiradentes é entregue à Mãe Beata de Iemanjá

07 de junho de 2017 17h31

Cerimônia histórica na Alerj rende homenagem ao povo negro brasileiro.

Fotos: Equipe Marcelo Freixo

Um dia para não esquecer. Foi lindo ver o plenário do Palácio Tiradentes vestido com as roupas brancas do candomblé. O pomposo espaço ocupado, costumeiramente, por homens brancos e engravatados foi obrigado a dar espaço para os lindos trajes e a mais profunda fé das religiões negras.

Nesta quarta-feira, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), entregou aos filhos de Mãe Beata de Iemanjá a Medalha Tiradentes, mais alta condecoração concedida pelo Legislativo do Rio, um prêmio para quem prestou “relevantes serviços à causa pública”.

A homenagem post-morten foi iniciativa do mandato do deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, presidente da Comissão de Direitos Humanos daquela Casa. Mãe Beata morreu recentemente, em 27 de maio, aos 86 anos, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Beatriz Moreira Costa era do terreiro Ilé Omiojíàró, também em Nova Iguaçu, onde desenvolveu um trabalho de enfrentamento ao racismo, educação e liberdade religiosa. Seu nome e sua história devem ser conhecidos e lembrados por todos os brasileiros e brasileiras. Sua luta foi um ganho para nossa história e cultura.

Seu falecimento trouxe tristeza a todos nós que lutamos pelos direitos humanos. Sabemos que sua passagem por esse mundo não foi e não será em vão. Seus passos permanecerão sendo seguidos por todos e todas que lutam e acreditam em uma cultura de paz e tolerância.

“Muitos pensam que espiritualidade é alienação, perda de senso crítico e de poder de escolha. Mas não foi essa espiritualidade que Mãe Beata me ensinou. Espiritualidade é coletividade, confiança, ética, caráter. Espiritualidade é fundamentalmente luta. Nossa espiritualidade é um exercício de emancipação da ancestralidade negra – Gustavo Melo (egbonmi ile emiojuaro)”.

Salve, Mãe Beata!