Congresso da UNE reúne 15 mil estudantes e delibera: dia 30 vamos parar o Brasil!

19 de junho de 2017 11h49

Entre os dias 14 e 18 de junho, Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, recebeu 15 mil estudantes do Brasil inteiro para o 55° Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE). Uma tarefa essencial foi colocada: é hora de derrubar Temer e todas as suas medidas absurdas de retiradas de direitos.

                  Foto: UNE

O CONUNE acontece de dois em dois anos. E é neste espaço que decide-se o rumo que a entidade vai tomar. Como é o caso da escolha de uma nova direção e suas prioridades.

Os quatro dias são tomados por diversos temas que tangem o ensino superior, mas não só. A UNE tem papel fundamental na política nacional. A entidade tem a responsabilidade de ter influência no governo, sobretudo no Ministério da Educação. Portanto, seu poder de mobilização e organização do estudante pode e deve ser concreto.

Além dos debates que aconteceram dentro da Universidade Federal de Minas Gerais, algumas forças ocuparam as ruas de Belo Horizonte em ato até a casa do corrupto Aécio Neves, presidente afastado do PSDB – um dos maiores corruptos deste país. Coletivos da Oposição de Esquerda à direção da UNE foram até sua casa e fizeram um escracho na portaria. Suas corrupções não passarão batido!

HISTÓRIA

A UNE tem sua história confundida com a história do país. Foi a grande resistência à ditadura militar, por exemplo, que culminou no amplo movimento de Diretas Já no Brasil. Com diversos estudantes exilados, torturados e mortos durante o regime, como é o caso de Honestino Guimarães, jovem militante, morto pela ditadura. Cruelmente, até hoje seu corpo está desaparecido. Em memória de Honestino, que realizou o primeiro congresso da UNE na clandestinidade, o próximo CONUNE será o 57° e não o 56°. É preciso reconhecer atos heróicos. É preciso reconhecer o congresso que antecedeu a morte do jovem estudante.

                  Foto: UNE

DISPUTAS

Como qualquer grande instituição, a UNE é formada por forças que divergem entre si. São elas: Oposição de Esquerda, composta por coletivos majoritariamente ligados ao PSOL. Há ainda o campo popular, Majoritária, ligada aos partidos PT e PCdoB. Este ano a direta também esteve presente, representada na juventude do PSDB. A UNE é dirigida pela Majoritária há mais de 20 anos e venceu outra vez agora em 2017. Nós, do Juntos!, defendemos, outra vez, uma mudança de gestão. O Movimento Estudantil tem muitas demandas e falhas. A UNE tem que estar ligada aos interesses e demandas do estudante.

“Hoje o movimento estudantil está muito preocupado em criar cargos políticos e esquece pra quem ele realmente serve. Esse é o maior problema da direção da UNE”, diz Kainan Machado, estudante de enfermagem e da Executiva Nacional de seu curso.

Neste ano, o Juntos trouxe, em especial, a necessidade de construir a greve geral no dia 30 de junho! Acreditamos que é hora de construir uma jornada de lutas que a juventude inaugurou junto aos trabalhadores.

A primeira greve geral deste ano, no dia 28 de Abril, é um exemplo. Mais de 40 milhões de pessoas paralisaram contra Temer e as reformas trabalhista e da previdência. O último dia 24 de junho não foi diferente: mais de 150 mil tomaram as ruas de Brasília para derrubar o governo ilegítimo de Michel Temer. O mar da história está agitado. E cada dia uma nova denúncia ou delação coloca Temer à beira do abismo. Sua sobrevida na presidência tem tempo determinado, e não vai ser no ano de 2018. Neste momento, as ruas tem importância central na definição dos rumos do país.