Batom pode, Homofobia não!

01 de junho de 2017 20h38

Alunos do Rio vão à aula de batom em apoio à colega que foi repreendido por usar batom na escola.

Nesta quarta-feira (31/05), Diego Archanjo, de 17 anos, aluno da unidade de Nova Iguaçu do conceituado Sistema Elite de Ensino, foi levado à coordenação e repreendido por estar usando batom. A repreensão aconteceu de manhã. Chegando em casa, o jovem, muito entristecido e indignado, publicou um desabafo em seu Facebook.

“Hoje eu fui chamado na coordenação da minha escola e orientado a não usar mais o batom porque ele não pode ser usado dentro da escola, alguém foi reclamar, e minha coordenadora disse que era também para evitar algum tipo de preconceito. Eu agradeço a preocupação dela, só n entendi o porquê de não poder usar, já que outros alunos usam. Não entendi o porquê de ser orientado a não atrair a opressão ao em vez de orientar o opressor a não oprimir. Bem, até hoje nunca fui desrespeitado face à face por nenhum aluno (oque dizem pelas costas não me diz respeito). Por mais que alguns alunos tenham estranhado no início (principalmente porque eu era de uma turma pré-militar) a maioria se acostumou com o tempo e eu me sinto bem ao saber que quando eu me formar, se algum aluno fizer o mesmo no ano seguinte esse estranhamento será menor, e um dia não existirá mais. Foi apenas um desabafo no Twitter, eu não imaginava que tantos alunos me apoiariam… Elitianos, vocês são demais!

Edit: quero deixar bem claro q a minha coordenadora apenas reproduziu um discurso pre-estabelecido e ate se mostrou preocupada comigo. Em momento algum foi grosseira! Ela e vitima desse machismo tanto quanto nós. Ela se preocupou comigo e com a minha segurança, apenas foi da maneira errada”

A campanha #BatomSimHomofobiaNão viralizou de uma forma surpreendente. Para quem usa as mídias sociais, ser o segundo colocado nas hastags mais usadas no Twitter é grande coisa.

“Fiquei muito emocionado com a repercussão”, disse a nossa equipe, por telefone, o jovem Diego!

O Sistema Elite tem cerca de 20 unidades espalhadas pelo Rio de Janeiro. Surpreendentemente, nesta quinta-feira (1/06), numa atitute comovente, centenas de alunos – meninos, meninas e menines – foram à aula com seus lábios cor de rosa, vermelhos, entre outras cores. Quase um arco-íris. O que simboliza nossa diversidade! Olha quanta foto bonita saiu no dia de hoje!

Diego, apesar do desabafo e repúdio à postura da coordenação de seu colégio, passou em todas as salas de sua unidade para pedir que os alunos não violentassem, de nenhuma forma, a coordenadora que o repreendeu. “Ela sempre esteve à frente em repúdio a casos de homofobia na escola. Ela tentou me proteger, ninguém nasce desconstruído.”

Pelo entendimento de Diego, a coordenadora quis protegê-lo de qualquer ataque interno por parte de alunos ou outros profissionais que trabalham na instituição, mas acabou fazendo isso de forma equivocada, o que o machucou. Afinal, batom tem gênero?

O que não se vê com frequência é estranho de imediato. Aprender que batom é coisa de menina, como bem dito por Diego, é uma construção.

Nosso Mandato Coletivo entrou em contato com o adolescente para prestar apoio e fazer parte da campanha! Ele apoiou também nosso #BatomSimHomofobiaNão!