Atraso do aluguel social leva famílias ao desespero

08 de junho de 2017 18h47

Nesta quinta-feira (8), trabalhadores sem teto protestaram em frente à Secretaria de Estado de Obra (SEOBRAS), no centro do Rio de Janeiro. Cerca de duzentas pessoas chegaram a deitar no chão da rua do Passeio em protesto contra os atrasos do aluguel social, programa do Governo do Estado, e também em protesto contra as promessas não cumpridas do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e do Programa Minha Casa, Minha VIda, iniciativas do Governo Federal.

Calcula-se que cerca duas mil famílias sofrem, algumas com fome e na rua, com este atraso do benefício e com as promessas não cumpridas de nossos governos.

Eram moradores das favelas do Jacarezinho, Manguinhos, Jacaré e Complexo do Alemão – algumas das áreas mais carentes da cidade do Rio de Janeiro. Grande parte dos beneficiários, além de sofrer com o desemprego, denuncia aluguéis atrasados há três meses. Segundo os manifestantes, o pagamento só foi feito após terem recorrido à justiça.

Moradia é um direito

                    Paulo Roberto, Jadilson Martins e Fátima Silva – moradores do Jacarezinho

Os sem teto também reclamaram do pequeno valor do aluguel social, apenas R$400. Muitos desempregados encontram dificuldade para arrumar o restante do valor para continuar sob um teto digno. Segundo Jadilson Martins, morador do Jacarézinho, zona norte do Rio, seu aluguel custa R$650, um dos valores mais baixos da região. Algumas pessoas do movimento chegam a pagar R$1000 – o que tira o sono de muitos.

O país está em crise, com cerca de 15 milhões de desempregados. E esta crise dificulta a empregabilidade, dificulta que tantas famílias pobres vivam de forma humana.

A maior das reivindicações, para além do fim dos atrasos, é a entrega de unidades habitacionais prometidas pelo PAC desde a remoção dessas famílias há sete anos.

”Nós não queremos desordem aqui. Queremos uma solução! Quando vai começar a obra? Tem algum projeto? Eles abandoraram! A promessa de entrega foi feita há sete anos. Falaram que iam fazer a obra imediatamente, assim que desalojassem as famílias. A última família foi desalojada e até agora nada. Eles não pagam o aluguel social na data certa. Atrasam três meses e não dão justificativa. A gente tem que ir pra justiça todo mês. A gente não aguenta mais essa luta!”, disse Jadilson Martins, morador do Jacarezinho.

Enquanto do lado de fora centenas se manifestavam, Kito, líder do movimento dos sem teto no Jacaré, reunia-se com o subsecretário de obras e sanemaneto, Carlos Ramos, em busca de prazos para a construção de novas unidades e solução dos problemas. O prazo para o início da licitação para Alemão é de dois meses.

QUEM TEM FOME TEM PRESSA!

“Se isso não resolver, a gente vem pra rua de novo, fecha tudo igual ano passado e acabou! Isso já está uma putaria, dois meses, três meses, várias reuniões e não acontece nada” gritou uma manifestante.

“Os vereadores têm que meter a cara a nosso favor. Quanto mais os vereadores se escoderem, nas eleições de 2020, as portas das comunidades estarão fechadas para eles.” disse Paulo Roberto, morador do Jacarezinho.

Todos os brasileiros são sujeitos de direitos. O governo, em todos os seus âmbitos, não quer enxergá-los desta forma. A moradia digna é direito básico constitucional. A desigualdade social e racial são contundentes e agravam o problema dos Moradores Sem Teto. É inconcebível que tantas famílias não sejam atendidas com urgência.