A luta pelo direito ao passe livre parou uma das avenidas mais importantes do centro do Rio

08 de maio de 2017 21h32
O medo de perder um direito fundamental motivou estudantes secundaristas de diversas instituições a irem para as ruas nesta segunda-feira (08/05). Entre eles, alunos do Pedro II, Cefet, Faetec e de escolas estaduais. O ato concentrou-se na igreja da Candelária, no centro do Rio, às 14h e saiu por volta das 15h com cerca de quinhentas pessoas. Os manifestantes tinham entre 15 e 18 anos e caminharam parando uma das principais avenidas do centro, a avenida Rio Branco.

Na última sexta-feira (5), o governo do Rio anunciou o corte do passe livre escolar para quem utiliza ônibus intermunicipais, barca, trem e metrô, o que prejudicaria cerca de 27 mil estudantes das redes municipal e federal. O corte estava anunciado para a próxima segunda-feira (15). A justificativa do governo era a crise na qual o Rio está afundado. Apesar do anúncio do governo, a Defensoria Pública do Estado conquistou uma liminar que proíbe o governo estadual de suspender a gratuidade nas passagens de ônibus. Apesar da liminar, ainda não há garantia de que Pezão vai cancelar a suspensão dos RioCards.
A MANIFESTAÇÃO
A palavra para definir a manifestação era energia. O ato contou com 500 manifestantes. Algo marcante foi a presença de professores. Com olhos abrilhantados, eles caminhavam pelo ato dando apoio aos alunos. Pais e mães também estiveram presentes, sobretudo pelo medo da repressão policial que foi violenta na última grande manifestação que aconteceu na cidade.

‘’Eles só pagam a metade das passagens, a outra metade os pais têm que bancar. Minha filha pega dois ônibus e eles só colocam 60 passagens por mês. Além disso, ela estuda 6 dias por semana. Se já é difícil pra gente que mora mais perto, imagine pra quem mora em Maricá, Rio Bonito e Cachoeira de Macacu? Se pra mim já é difícil bancar o resto das passagens, imagina quem mora nesses lugares?’’ disse Ivone Damas, bióloga do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e mãe de Julia Damas, 16, estudante do Pedro II de Niterói.
O mais emocionante de encontrar Ivone foi saber que pela primeira vez mãe e filha foram juntas às ruas. Ivone também esteve nas ruas durante sua juventude, assim como a filha hoje. Ivone foi uma das ‘’caras-pintadas’’ manifestantes que foram às ruas nos anos 90 pelo impeachment de Fernando Collor, deposto em 1992.
Palavras de ordem em repúdio às reformas de Temer também fizeram parte do ato. Afinal, o futuro é dessa juventude e, de acordo com a reforma da previdência, para o recebimento integral da aposentadoria, eles já deviam estar no mercado formal de trabalho. Mas adolescentes de 16 anos têm que estar na escola – e nas ruas quando necessário.
O governo do Estado, em hipótese nenhuma, pode atingir estudantes que precisam ir à escola para pagar a crise. Passe livre é um direito assim como foi lembrando nas palavras de ordem dos secundaristas.