Trabalhadores nas ruas, vias trancadas, Greve Geral: o Rio amanhece em luta por direitos!

28 de abril de 2017 13h31

O dia 28 de abril marca um novo capítulo da história recente do Brasil. O trabalhador, que já não aguenta mais tanto direito retirado, foi às ruas para mandar um recado claro ao ilegítimo presidente da República, Michel Temer, e a todo o Congresso Nacional: não aceitará mais o que está acontecendo no país.

Trancaço no Centro do Rio bloqueou vias importantes durante cinco horas. Foto | Guilherme Prado

As manifestações no Rio de Janeiro começaram ainda antes do sol nascer. No acesso à Capital para quem chega de Niterói, junto à Rodoviária Novo Rio, centenas de pessoas interromperam avenidas fundamentais da cidade, bloqueando o trânsito por quase cinco horas. Os protestos se focaram em criticar Temer, a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e ainda a Lei das Terceirizações. Estavam na pista lutadores de diversas categorias e movimentos sociais. Eram estivadores e arrumadores do porto, trabalhadores Sem Teto, petroleiros, ativistas do Juntos!, do Mais, do Rua, do MRT, entre muitos outros.

Um dos mais antigos trabalhadores do Porto do Rio de Janeiro, Milton Dória da Silva, estava enfurecido: “Tem que acabar com essa sacanagem, com essa perversão. Tudo corrupto. Tudo vendido! O empresariado vai lutar a causa do empresariado em detrimento do proletariado. Leva isso para a mídia! Leva isso para geral!”

O vereador David Miranda, do PSOL, também esteve no trancaço. Estava entusiasmado por, aos 31 anos, participar de sua primeira Greve Geral:

“Sou jovem e estou experenciando isso pela primeira vez. Sou de favela e sei que a resistência tem que vir de todos nós, porque na favela a terceirização já chegou há mais de dez anos. Lá a retirada de direitos já chegou há muito tempo e agora o asfalto também vai sentir isso na pele. Essa greve não devia ser um dia só, não. Essa greve deve ser por tempo indeterminado. A gente tem que parar o Brasil, porque esses caras querem que a gente volte para a época da escravidão. A gente não vai deixar!”

Vereador David Miranda esteve no ato em frente à Rodoviária e chegou a ser atropelado. Foto | Guilherme Prado

Homens e mulheres tiveram que deixar os ônibus e seguir a viagem a pé. A maioria, mesmo assim, elogiava a atitude dos manifestantes. Muitos pediam adesivos e panfletos: “É isso aí! Quando ficar doente quero ver o patrão nos ajudar”. Alguns poucos, no entanto, também tentavam furar o bloqueio. Em um desses casos, o próprio vereador David Miranda foi atropelado por um carro. Felizmente, sofreu apenas ferimentos leves.

Vereador David Miranda foi atropelado em frente à Rodoviária. Foto | Guilherme Prado

Perto das 8h40, começou a vergonhosa repressão da Polícia Militar. Eram apenas 4 policiais, mas foram o suficiente para dispararem bombas de gás asfixiante e ainda balas de borracha. Um dos agentes fumava um cigarro enquanto atirava contra os manifestantes. Outro policial chegou a sacar a pistola. Um manifestante, trabalhador do porto, correu assustado e levou uma rasteira de um outro PM. Sofreu com escoriações pelo corpo. Os manifestantes reagiram com pedras sobre os dois carros da PM. Um deles teve o vidro traseiro arrebentado. Entre balas de borrachas e pedras, os motoristas, trancados no engarrafamento, ficaram assustados. Intimidados, os policiais tentaram negociar a liberação da via.

Covardia! Ao fugir de PM que sacou pistola, trabalhador ainda sofreu uma rasteira de outro PM. Foto | Guilherme Prado

“Quando eles começaram a dar tiro, tinham que dar no meu peito. Morria satisfeito, lutando. Com orgulho de ver essa juventude aí. O futuro do país. Não é como esse safado aí. Esse bandido ali. Bandido fardado. Filma ele ali!”, disse um outro trabalhador do porto, também bastante experiente.

A maior vergonha ainda estava por vir. Perto das 9h30, chegou reforço do Batalhão de Choque. Cerca de 20 agentes, numa repressão absolutamente desproporcional, soltaram bombas de gás asfixiante, mais bala de borracha, mais spray de pimenta. Chegaram a invadir a sede do Sindicato dos Estivadores para perseguir os manifestantes. Um trabalhador foi derrubado e espancado. Milton, aquele antigo trabalhador, levou spray de pimenta na cara e também foi derrubado. Um absurdo, uma violação total do legítimo direito de se manifestar. Corajosos, decididos em lutar por um país melhor, os trabalhadores ainda voltaram a fechar as vias mais uma vez.

Corajoso! Milton estava irritado com ação da Polícia Militar. Foto | Guilherme Prado

Não foi apenas nas proximidades da rodoviária que os trabalhadores cariocas protestaram neste dia 28 de abril. Houve bloqueios também na Linha Vermelha, na ponte Rio-Niterói, nos acessos aos aeroportos Santos Dumont, no Centro, e Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, na pista da Serra Grajaú-Jacarépaguá, na avenida Rio Branco. O Consórcio BRT Rio também teve seus serviços interrompidos, especialmente na Zona Oeste, assim como o VLT, no Centro. A radial Oeste, via importante de acesso à Zona Norte do Rio, também recebeu manifestações, assim como o Túnel Marcello Alencar. O acesso ao terminal Araribóia, em Niterói também foi bloqueado. A Autopista Fluminense sofreu interrupção na altura de Campos. A tarde desta sexta-feira promete ainda muitas manifestações. Um grande ato está para sair da Igreja da Candelária, no Centro, a partir das 15h.

Trancaço no centro do Rio durou mais de 5 horas. Foto | Guilherme Prado