O que Beyoncé ainda precisa fazer?

19 de fevereiro de 2017 12h08

Por Marcela Lisboa, assessora do Mandato Coletivo David Miranda

Foto: Getty Images

Indicada a nove premiações e vencedora de duas (melhor álbum urbano e melhor videoclipe), Beyoncé foi, mais uma vez, excluída do hall das principais premiações do Grammy. Até Adele, vencedora do prêmio de melhor álbum, sabia que o resultado havia sido injusto. Além de um discurso emocionante em homenagem a diva negra, a cantora partiu o troféu ao meio e compartilhou com a amiga. Ao final do evento, ela questionou: O que ela ainda precisa fazer para ganhar este prêmio?

Viola Davis já havia antecipado o debate no Emmy de 2015: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”

Os Grammys recebidos por Beyoncé dizem muito sobre o problema racial da premiação. Embora Beyoncé acumule mais de 20 premiações de Grammy, ao disputar nas categorias principais com pessoas brancas, a cantora sempre fica de lado. E este não é um tema novo. Azelia Banks, Frank Ocean e Kanye West têm questionado a seletividade racial das premiações principais há alguns anos. Os dois últimos repetiram a proeza do que ficou conhecido como “Oscar So White” (Oscar tão branco) e boicotaram o evento.

Acontece que, mais uma vez, ao enquadrar Beyoncé na categoria “Urban” (urbano), o maior prêmio da indústria musical guetifica a cantora e marginaliza sua música. “Lemonade” foi um estouro de sucesso ao trazer à tona a necessidade do debate racial nos últimos tempos. Graças a nossa Queen B, milhões de crianças, jovens e adolescentes hoje podem se olhar com dignidade e beleza. Em seu discurso da vitória ela diz: “Pra mim, é importante mostrar aos meus filhos imagens que reflitam sua beleza, então eles poderão crescer num mundo em que olharão no espelho, primeiramente através de sua família, e verão a si mesmos, sem duvidarem que são lindos, inteligentes e capazes”.