Lista de reivindicações de familiares de policiais pede fim das UPPs e eleição para Comando da PM-RJ

13 de fevereiro de 2017 08h39

Lista tem 26 pontos.

A pauta de exigências apresentada pelos familiares dos policiais militares do Rio de Janeiro é extensa e faz um passeio por diversos problemas enfrentados pela categoria. Além daqueles pontos tradicionais à quase qualquer reivindicação trabalhista, como adequação da jornada de trabalho, o pagamento dos salários em dia e aumento salarial, esta lista traz questões cruciais e polêmicas para o futuro da segurança pública do Rio de Janeiro.

O ponto 2 pede uma escala de serviço de 12 horas trabalhadas por 48 horas descansadas. Ou ainda 24 horas trabalhadas por 72 horas descansadas. Hoje, segundo as familiares dos PMs, existe um descontrole total das escalas. Algumas denunciaram turnos duplos de 24 horas. Isso significa que hoje, no Rio de Janeiro, existe policial militar trabalhando 48 horas ininterruptamente.

Já o ponto 8 reinvindica “subsídio e plano de moradia para policiais militares em áreas específicas da cidade, onde o policial e bombeiro militar possam ter segurança para morar e criar a sua família”. Demonstra, claramente, o permanente medo com o qual vivem as famílias de policiais militares.

O 16 é o mais curto e talvez o mais impactante: “fim das UPPs”. As famílias dos PMs que trabalham em UPPs têm mostrado cada vez mais preocupação com o agravamento dos conflitos em algumas favelas do Rio, como no Alemão.

O ponto 19 demonstra que a falta de democracia de uma instituição militarizada incomoda as famílias dos policiais ou, em uma dedução óbvia, os próprios policiais militares: “eleições internas para a escolha do Comandante Geral, que deverá ser eleito pelo voto da tropa a cada dois anos reelegíveis por mais dois anos apenas”.

O 23 traz um sonho, que hoje parece muito distante: “aumento salarial de 47%”.

Alguns pontos revelam o atento acompanhamento à conjuntura estadual, nacional e outras questões estruturais da segurança pública, como a “retirada de policiais militares da Reforma da Previdência” e a rejeição de algumas medidas austeras do pacote de Pezão. Segundo informações obtidas com esposas que participaram da reunião com a cúpula da PM no sábado, o Comandante Geral da PM do Rio, coronel Wolney Dias Ferreira, teria dito que o governador condiciona o atendimento de algumas reivindicações, como o pagamento de salários atrasados, à venda da CEDAE. A discussão da questão está marcada para esta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa do Rio.

Mesmo que a polícia militar responda, constitucionalmente, ao poder estadual, nosso mandato está fazendo um atento acompanhamento destes protestos dos familiares dos policiais militares. Uma paralisação da categoria teria um enorme impacto no dia a dia do Estado e da cidade do Rio de Janeiro. O governador precisa ouvir o que gritam essas famílias.

Reivindicações das esposas e familiares dos policiais militares do Estado do Rio de Janeiro (página 1/2)

Reivindicações das esposas e familiares dos policiais militares do Estado do Rio de Janeiro (página 1/2)

Reivindicações das esposas e familiares dos policiais militares do Estado do Rio de Janeiro (página 2/2)

Reivindicações das esposas e familiares dos policiais militares do Estado do Rio de Janeiro (página 2/2)