Carnaval plural, diverso e com respeito às diferenças

15 de fevereiro de 2017 19h06

Por Bárbara Aires, assessora trans do mandato coletivo David Miranda

“Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é … ?”
“Maria Sapatão, sapatão, sapatão; de dia é Maria, de noite é João…”

São marchinhas de carnaval antigas, clássicas, muito conhecidas e exemplos de como a folia pode ser preconceituosa. Neste 2017, muitos blocos, felizmente, inauguraram as polêmicas e afirmaram que não vão cantar marchinhas como essa. Mais isso falando de gays e lésbicas, pois se falarmos em travestis, mulheres transexuais e homens trans, esses nem existem para o maior espetáculo da terra.

Quando existem, é pela exposição em redes sociais. Temos visto casos de explanação de pessoas trans, sempre com tom de deboche. Num deles, ano passado, um homem cis abraçava sua companheira trans. Pronto: foi o suficiente para a foto se espalhar fazendo piada daquilo que deveria ser natural em nossa sociedade. E se formos falar dos casos de agressões, não sairemos daqui antes do Natal…

Não tem como não falar da discriminação lgbtfóbica sem lembrar que somos frutos de uma sociedade patriarcal, machista, sexista, e que ainda usa homofobia para falar de discriminação LGBT. Lésbicas sofrem lesbofobia, bissexuais sofrem bifobia, travestis e transexuais sofrem transfobia. Homofobia quem sofre são os homossexuais masculinos, os gays.

Ainda precisamos aprender — e o carnaval é uma ótima oportunidade — a ver com naturalidade relações e troca de afetos homoafetivo, afinal, eles têm os mesmos direitos e deveres que a população hetero. Quando falamos de travestis, mulheres transexuais e homens trans, precisamos ainda lembrar que nós existimos. Precisamos aprender a não contestar seu gênero. Um pênis não define um homem e uma vagina não define uma mulher. Por que incomoda tanto uma pessoa trans? Porque precisamos sempre contestar o gênero de uma pessoa trans baseado em biologia, medicina, socialização, achismos e julgamento de valor? Não é mais fácil simplesmente respeitar a auto declaração da pessoa?

Por um carnaval onde todos sejam livres, respeitados e possam se divertir sem se preocupar se estão afeminados demais, masculinas demais, se têm pênis ou vagina… Somos pessoas!!! Pessoas que querem apenas curtir a folia de carnaval!!!

Para encerrar esse artigo em alto astral, deixamos aqui a dica da nova marchinha, que deveria ser o hit deste carnaval.